Crítica: O Diabo de Cada Dia

Assim que eu terminei de ver esse filme, estava com uma sensação de angústia terrível. Tudo o que é mostrado em O Diabo de Cada Dia, baseado no livro de Donald Ray Pollock, que narra o filme, pode muito bem ser uma história real de alguma cidade do interior, seja dos Estados Unidos, ou de outro país. Embora seu início seja muito lento, tudo o que é mostrado na primeira hora do filme precisa ser visto para entendermos como todos os personagens acabam se interligando em algum momento. E após a primeira hora, com a entrada de Tom Holland, o filme me ganhou totalmente.

A história acompanha Arvin (Holland), que teve uma experiência traumática na sua infância devido a fé obsessiva do seu Pai, vivido brilhantemente por Bill Skasgard. Após isso, o garoto passa a viver com sua avó, e nunca consegue esquecer o que houve quando era criança. Nessa primeira parte do filme, somos apresentados aquele universo em todos os detalhes. Vemos o quanto o fanatismo e a busca por sentido na fé é algo perigoso, e como isso pode afetar aqueles ao seu redor. E todo o elenco do filme faz isso perfeitamente, especialmente Tom Holland e Robert Pattinson, que eu diria serem os principais personagens de toda a trama.

O personagem de Tom Holland é um jovem traumatizado, que não vê a fé com os mesmos olhos que as outras pessoas ao seu redor, e nem quer se tornar igual na verdade. Enquanto Pattinson é de longe o personagem mais sádico apresentado na trama, alguém que usa da fé para benefício próprio, coisa que tem muito por aí. O embate desses dois personagens com certeza é o ponto alto de O Diabo de Cada Dia, mas não o foco principal. O longa narra várias histórias, que coincidentemente se chocam em um determinado momento graças a Arvin, mas que também tem o problema mostrando na sua narrativa, a busca por sentido, o fanatismo, seja religioso ou por poder, e as consequências disso.

Mesmo sendo um pouco lento, talvez funcionando melhor como uma série, O Diabo de Cada Dia é um filme pesado e intrigante, que me cativou com sua história e personagens, definitivamente um filme necessário nos dias de hoje, onde a fé está tão presente e às vezes é tão mal interpretada.

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