Crítica – Mulan

Desde seu anúncio oficial, o live-action de Mulan teve algumas questões que deixaram muitos fãs apreensivos em relação a essa nova adaptação. Sem Mushu, sem músicas, sem Li-Shang, isso foi algo que, confesso, me deixou um pouco receoso. Mas fico feliz em dizer que, mesmo que eu não tenha achado o live-action uma obra prima, esses problemas são o de menos.

O que temos aqui trata-se de uma real releitura da história de Mulan, bem diferente dos outros live-actions da Disney, onde alguns praticamente eram uma cópia sem alma do desenho (sim Rei Leão, estou falando com você). O filme te traz uma nova visão a lenda chinesa, que agora parece ser um pouco mais pé no chão, sem deixar a fantasia de lado. Inclusive, aí tem algo que eu acho que pesaram mal, a fantasia. Uma das coisas que nos deixava animado com a animação era ver Mulan se tornando uma guerreira de verdade ao longo do seu treinamento. Todo seu esforço e dedicação, não somente para esconder quem ela é de verdade, mas para realmente se tornar um excelente guerreiro, é algo muito legal de se ver. Já no live-action, a protagonista virou um Jedi, que “já possui dons desde criança” mas que precisa esconder esses dons por ser uma mulher. Ok, é compreensível o que a mensagem do filme quer te mostrar com isso, mas automaticamente eu já perdi o interesse em ver ela treinando ao chegar no acampamento.

Falando em acampamento, senti falta também do humor da animação nessa parte. Para compensar a falta dos animais falantes e etc, temos um personagem humano chamado Grilo, que também diz trazer boa sorte, pena que ele é sem graça. O trio Yao, Ling e Po aparecem tão pouco que não ganham nada relevante pra fazer. E temos o novo interesse amoroso da protagonista, Honghui, que é até interessante, mas tem tão pouco pra fazer que na verdade eu não me importei, e não tem nada de errado nisso, afinal, esse filme não é sobre um relacionamento amoroso. Meu destaque para o acampamento fica para Donnie Yen, que em 15 minutos de cena consegue ser imponente só por ser Donnie Yen. Ele e Jet Li, mas falo do imperador daqui a pouco.

Não podia deixar de lado a guerra, que é um dos focos centrais da trama. As batalhas de Mulan até que funcionam, mas a edição não ajuda. Se você prestar atenção, vai notar que, em uma única cena de luta, temos 5 ou 6 cortes diferentes acontecendo de forma rápida, que te deixa confuso e até mesmo tonto. Mais uma vez, a fantasia acaba tendo um peso aqui, com Mulan usando seus poderes Jedi pra “chutar uma lança” ou algo do tipo. Pelo menos essa parte funciona em relação a Xian Liang, vilã vivida por Gong-Li, onde seus feitiços e magias funcionam, mesmo que alguns sejam um pouco esquisitos quando o CGI não ajuda. A vilã e a protagonista acabam tendo um certo arco único entre as duas, que até que é interessante, mas é muito apressado. Ele começa e termina em cerca de 20 minutos, coisa que, em um filme de duas horas, acho que dá pra dizer que é bem rápido.

Pra finalizar, Jet-Li faz uma participação especial como o Imperador da China, e em seus pouquíssimos minutos em cena está imponente, algo que sabe fazer. Ele e Donnie Yen são as cerejas do bolo do for inteiro. Porém, há uma cena entre o Imperador e Mulan, que obviamente não irei falar por motivos de spoilers, que é uma “vergonha alheia” de tão cafona.

No fim das contas, Mulan traz uma releitura na história que é digna de aplausos, mas sua execução poderia ter sido um pouco mais desenvolvida. Ainda assim, é divertido, tem boas cenas e talvez agrade. Mas, como sempre, o original continua infinitamente superior. A Disney precisa repensar seus live-actions.

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